úlcera.

faço parte de você.
nem que seja,
parte desta úlcera infeliz
que plantei no seu estômago.
pra enraizar tua alma medíocre.
e te faz sangrar.
te faz morrer.
aos poucos.
pra ser mais gostoso.
Enquanto você grita,
eu sinto o gosto.
e te embrulho o estômago.
enquanto seu sonrisal ferve.
você chora,
e suplica,
pra deus arrancar de você.
eu, a úlcera, e a vida.

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presente de parede

 

É mais do que um presente, futuro, passado, calendário, real, abstrato, presente!!! é eu. e é ele, ali, na parede. É de poesia, de fotografia, de música e ventania. De laços, abraços, traços, retalhos, amigos, café, tantos dias, que parecem anos, que viram vidas. E se resumem, ali, na parede. Na minha ou na dele? Ah… parede! verdes, vemelhas, sem cor, sem teto, sem juízo, para rede, pra cor, pra corar, pra prego. de pendurar, chuteira, eu, ele, janela, pássaros, aviões, nuvens, o mundo, pendurado, ali… eu e ele. na parede.

 

ciranda

Gastei minhas havaianas,
brincando de Hawaii Ana.
Perdi a conta, da conta!
mas eu dou conta,
só preciso de calculadora.

Ah! prefiro passar da conta.
no descontrolar, me viro.
É como contar histórias,

medos, dedos, anéis, fiéis, pastéis.
oxítona eu sei. cantar:
“o anel que tu me deste”

com quem tá o anel???
“era vidro e se quebrou”
Nessa ciranda ninguém canta?!

quero brindar!
“o amor que tu me tinhas”
Essa ciranda não anda?!

eu ando, ando. desando. recanto. danço.
e faço drama.
só pra tu dizer que ama.
E cantar pra encantar.

Ah! cansei de brincar.
mas se alguém quiser me achar,
vai ter que contar até 10.

aniversário.

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De pai Pierrô, e mãe Colombina, eu nasci. Filha do carnaval.
Dos braços. abraços. do copo. a bebida. a beira. da boca. sede. do rio. a flor. da folia. do vendaval. ah. do verão… nasci. sem roupa, nem frio. eu ria. do feriado. dos que floriam de folia. eu ria.

careta. moleca. sapeca. Eu ana. da cana. fulana. bacana. sacana. suor. sangue. sol. Até quarta-feira, sou Ana.
E se sobrar bebida no copo. sapato na mão. memória no corpo. juízo não sobra não. nunca é não. Então brinda comigo. que eu vim de fevereiro. pra ser carnaval… o ano inteiro.

a meu “vesse”

Se depressa a noite chegasse,
e de preto, sua dor o céu chovesse.
Tu, ali no colo, me comovesse.
E abaçaiado, tu implorasse,
para que eu contigo chorasse.
Feito chuva, nosso pranto subisse,
e o céu, de pesado caísse.
Fazendo com que o mundo todo, se acabasse.
Assim, talvez, a gente se entendesse.

opostos

Eu chuva, ele constipação.
Ele pergunta, e eu: “sei não”.
Eu bagunça, ele organização.
Ele pensa, eu não.
Eu peço historinha, ele conta balão.
Ele medo, eu coração.
Eu rasgo o tudo, ele razão.
Ele explica, eu complicação.
Eu agora, ele: “que horas são?”
Ele boate, eu baião.
Eu forte, ele… ele não.
Ele inverno, eu verão.
Eu digo “vem”, ele pé no chão.
Ele esquece, eu peço atenção.
Eu aquário, ele leão.
Ele paixão, eu batata frita.

 

 

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o vento que entortou a flor

flor

É dia de Iemanjá, e eu, hoje, só queria ser flor, pra me jogar. E acalmar, tudo aquilo que o mar arrasta pra dentro de mim.
Tanto tempero e desespero, que embrulha o estômago, antes de nascerem as flores.
O sol faz da água sal, e das ondas… saudade. São tão fortes, que não me arrisco entrar. Logo eu, que nunca tive medo de ter medo. Fico cá, aonde eu posso pisar, e correr pro frio de casa.

E foi assim… de mar, em mar, que eu aprendi a contar.
Enquanto ouvia o batuque da viola, misturada às conversas, e à chuva…. (era perfeito!) o ônibus não saía, pra aumentar minha agonia. E virada de costas, eu via a janela chorar, junto com a chuva. eu não. sabia o que era certo ou indiscreto. Só sabia que era tanta gente pra Iemanjá escutar, que talvez ela não tivesse tempo, daí… eu chovi. uma chuva de verão. Forte! e passageira…