retrato de final de semana.

Sábado à noite, desta vez sem chuva! ufa!
– Então?! Jever?
– Não, de novo, não!!!
– Ah, pode ser Bar do João.
– Também não. Muito perto do Jever.
– Ai, sempre a mesma discussão. A gente vai acabar indo ao mesmo lugar, então poderiamos poupar esse tempo de tentar não acabar no Jever!
– Somos três velhas, sem saco pra socializar em bares estranhos. Fato! Previsíveis.
– Analice!!!! Ainda tem café????
– Tem Samanta! Em cima da mesa.
– Então vamos ficar aqui, abraçadinhas, de pijama (desde ontem), vendo Zorra Total, tô com preguiça.
– É, eu também!
– Tá! Vamos! Então faz mais café, que já vai começar.

.

Anúncios

relendo o que nunca foi lido.

“eu ouço a bateria no rádio agora
e sorrio.
há alguma coisa errada comigo
alem
da melancolia.”

E hoje, eu queria te escrever. Dizer que pintei as unhas, e não pintei os cabelos. Que continuo tomando café de madrugada e lendo Vinícius na aula. Te dizer, que eu nunca entendi, porque você me conhece tanto, se a gente mal se fala. Que você sabe exatamente aonde estão todas as minhas emoções e todos os meus sentidos. Te dizer, que não queria te dizer mais nada. E também que eu não consigo, porque sou mais fraca do que eu …
Te dizer, que continuo bêbada, ruiva e com as unhas pintadas.
brindando por você.

.

Carta ao amigo.

Sabe… nem mesmo todos estes anos, freudianos, são suficientes pra entender. Nem todas as mesas, de todos os bares, dos cafés, dos cabarés, do analista, do psicanalista, nem eu, nem ele, nem o tempo, nem você, caro amigo.

Acho que não quero me curar, nem de mim, nem da dúvida. Só quero ficar aqui, mais um pouco, tomar outra cerveja quente, ouvir outra música velha, escrever outro versinho idiota, que é pra cultuar, essa fome ao contrário, que faz do estômago, um lugar muito longe do coração.

E faz tanto frio…
_
Belo Horizonte, 13 de Outubro de 2008.