o rádio

Não! Não ta bom! Não é certo! Não é incerto, não sou discreta, nem honesta. Não sou bicheira, nem tenho paciência. Nada é concreto depois das 5. As portas estão abertas, com grades.
O brinco perdido no tempo, o jornaleiro, o café frio, a prima calada. As flores que eu não vi, os segredos que ninguém contou. A viola que ninguém tocou. A rua cravejada de brilhantes que nunca ouviu o som dos meus passos.

Não! não quero! Não ouço! Não sei! E antes de atirar o rádio pela janela eu ouvi o que ele dizia. Depois esqueci. Me virei e enlouqueci.
Mas não tem nada não. Faz um dia tão bonito lá fora e eu quero brincar.

irradiação

Os olhos doem. Pouca coisa dói depois que o sol se põe. Um por do sol beeeeeeem bonito leva a luz embora. Tudo embora. Bem longe… paradoxo.
O mês muda, o tempo muda. A verdade muda, calada, disfarçada de mentira. O que consome, o que corrompe o que ninguém entende, e todo mundo explica.

O livro fechado, sabe o que dizer. Todas as palavras e o silêncio total.
O silêncio sabe o que dizer.

depois da chuva

Faz frio, faz tempo, horas, dias. Fazem setas… e ninguém sabe ao certo a direção. Se o vento soprasse, eu seguiria. Mas ele quer ficar só. E só de mim eu sei.

Quando a chuva passar, e cessarem as gotas que deslizam meu rosto, o reflexo da poça vai secar… o cigarro de palha sujo, nas mãos do velho que a tudo observa, ainda vai queimar.
E vou me lembrar de todos os outros dias em que tirei os sapatos.

Se não me lembrar do caminho de volta, perguntarei ao velho. De certo ele sabe… tudo sabe… Será que ele é deus? será que ele existe?
quantos pontos valia a prova de psicologia?????

Baladas Bregas

O Néon defeituoso de um bar vagabundo, às vezes ilumina o rosto, outras me apaga. Quando a música acabar, todas as mensagens vão sair dos outdoors. E vão vagar como mortos pelas avenidas.
Compre! Veja! Compre! beba! use! compre! vá! escute!

esqueça… depois das três ninguém tem razão. Nem mesmo jesus cristo pendurado na parede.Os imperativos são imperfeitos. E você nem imagina como tem curvas esta estrada.

Por hora, nenhum publicitário vai pro inferno se pagar o dízimo em dia. Mas é bom desconfiar… Talvez seja só uma jogada de marketing. E a música nunca vai acabar. Ela vai e volta, feito uma fita antiga.
São todas bregas, quase tão bregas quanto o menino que as ouve.

Ele vai sem despedir, ou olhar para trás. segue o ritmo… segue a marcha, ouve a música, mas não a mim.

E se ele voltar.. mal vai se lembrar…
Do lugar sem publicitários e baralhos.