Casa da Vó

janela

A casa da vó fica aonde termina a rua.
Ou quando começa.
Deste lado da ponte.
Ou daquele.
De repente da onde você vem.
E do que tem além dos bolsos.

Modesta rua de pedras.
Majestosa rua.
Estrada sobre o tempo
Rua bonita. feita de silêncio…
Como os que sabem de mais.

A casa da vó sempre tem café.
E colo, e reza, e flores de plástico
Seis quartos, baralho, calha, chocalho.
O retrato pendurado. A Vó andando, e rezando
E rezando…
Pra gente voltar vivo do rio. Ela diz.
E sempre voltamos, e sempre vamos, e sempre fomos.

Meus primos não são galhos de árvore
Nunca gostei dessa tal “árvore genealógica”.
São galhos meus.
Só retalhos de infância.
em retratos pela casa.

E enquanto houver galhos, baralhos e terço.
Texto sem nexo pra minha vida
tinta pinta minha rima
com cor de infância

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breve dia leve

Um dia, mais um. Desses que acontecem depois de ontem, e antes de amanhã. Começa antes do sol,e  termina depois .. sabe-se lá quando termina, ainda não chegou. talvez não termine. “O fim… é belo e incerto” já dizia a música. São mais bonitas quando tristes. Assim como os filmes, ou as palavras. mas não o tempo. o tempo não fala.

E o despertador grita. relembrando que meus 5 minutos de acréscimo terminaram. A seleção não fez nada, porquê eu faria? meu patriotismo está de greve. e também o ânimo, e a fome, e a lucidez.

Depois de atirar o tempo pela janela, me virei. Decidí matar o dia. Afinal se ele começa quando acordo, termina quando durmo.

Varanda

vento sacode lento a rede vazia.
vitrais refletem sol
no corpo da menina
debruçada na varanda

varanda do céu
menina do mundo

a pressa não passa
quando cabelo balança
sem querer o céu.
nem nada

vento sacode a saia
embaraça os cabelos
leva embora o inverno
e o girassol.

Pra sempre vai ventar
e voar.
e voar.
e voltar.

talvez ela espere.
com a flor seca entre os dedos.
espere.

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