são mais de 5, da manhã. E eu aqui… impávida, intrépida… descabelada, de pijama, com uma olheira desse tamanho!
Até que me cái bem, este papel, de decadência. Acho por sinal, um charme. Fico com os pés encima da cadeira, segurando a caneca, ainda quente, do café que acabei de fazer. Olhando a minha mesa, tão bagunçada… entre papéis e esboços, o livro do Jabor que eu nunca termino, umas 4 canecas de café. vazias. um outro livro, do vinicius, que é pra eu amar. Ah tão viris, esses meus homens de verdade! que me escrevem, os livros. E não me enchem o saco. Vinícius costuma dizer, que o melhor amigo do homem, é o wisky, praticamente um “cachorro engarrafado”. Pois é, ato falho, acontece. Ele não devia ler jabor e tomar café. Porque, fazia muito samba e amor… até mais tarde.

papo furado.

–  vc é meio estranha

–  Leo, você tem medo de mim?

–  tenho demais!
   e olha q sou corajoso.
   mas… vc é aquariana.

–   … se tiver medo de mim, eu vou me sentir um bicho.

–  não se sinta.
   eu tenho medo, pq vc é voluvel
   vc é instavél.

–  ah, eu sou “emoções fortes”.

–  adoro suas explicaçoes!

.

Estes dias, conheci um cara num botequim, ele me ouviu perguntando o signo de um amigo, e disse: “cara, me amarro em astrologia”. Ficamos amigos! claro. E com menos de 5 minutos de amizade eterna, ele fez minha previsão numerológica, coisa interessantíssima, que nunca passara pela minha cabeça antes. Não me lmebro bem o nome dele, mas disse que estou no ano 9, ano do término, que assim que completar meu aniversário, volto pro 1, o ano do início! Desde então eu venho pensando nas coisas que estão se finalizando. E tento ver, uma verdade, através disso. Talvez seja exagero. Mas algumas coisas, vem de fato se desfazendo, por bem ou por mal.

mais por mal.

.

Ele me olhou de cima embaixo, cabisbaixo, fechou a cara e jogou o cigarro no chão. pisou. sentou, num tamburete de madeira, abriu as pernas e apoiou os braços. Olhou-me, num misto de ciúmes, cerveja e desdém, limpou os olhos e disse: “tu é cruel, mulher”.

.

Lugar de homem é na cozinha.

Algumas coisas, não exóticas, nem exêntricas, deixam-me trôpega. A melhor delas, é ver um homem pilotando fogão. Nem o pôr do sol, nem jogo do galo, nem partida de buraco, me são mais atraentes. Até minha DDA some, e sou capaz de prestar atenção à cada mínimo gesto, como se fosse um balet russo, e eu alí, de camarote.

Não sei se esse meu fascínio se deve ao fato de ser uma péssima cozinheira. Tudo que eu tento fazer, ou quebra, ou me corta, ou voa, ou queima, ou alguém me expulsa da cozinha e faz pra mim. Talvez seja apenas adimiração à papai, que sempre cozinhou, e desde sempre ougulhou-me, perante minhas amiguinhas.  Tenho uma tendência a me encantar pelo óbvio paradoxo, gosto do normal, que é anormal. E papai, coloborava graciosamente para a minha quebra de paradigmas.

Fico abestalhada… com jeitosos cavalheiros à beira de uma pia, portando um aventalzinho meio sujo, controlando a temperatura, pegando vasilhas sem precisar ficar na ponta do pé, abrindo a lata de palmito, sem precisar furar no meio.

.

eu sou chata mesmo.

Que madrugada insuportável, remoí raiva, rancor e café, senti calor, frio e não senti mais nada. Quis correr e quis ficar quieta. E pra mim.. esse conflito é o pior. Se eu fosse duas, seria menos chato, porque pelo menos, poderiam engalfinhar-se, os espectros de mim.
O convívio comigo mesma, é insustentável. Não importa o quanto eu mude o cabelo, continuo a mesma, pro meu alívio e desespero.