paradoxo

Nunca sei ao certo. O que é certo, o que é discreto. O que é sensato.
Sei o que quero! até quando não quero. ou até mudar de idéia.

Não tenho razão, não tenho certeza. Nem anéis eu tenho.
estou certa! e não sou discreta!

por que as pessoas me irritam tanto?!

eu fico tonta se penso.
se não penso. não existo. nem fico tonta.

Bebo café sem doce. escrevo sem nexo. Jogo baralho e falo palavrão.
odeio sapatos e órdens. gosto de sorvete e do meu pai.

Fico lendo. fico quieta, fico inquieta.
fotografo o que se move. e o que nunca vai se mover.
Esqueço do livro, da órdem, do progresso, da desordem.

jogo baralho e falo palavrão.

passam. horas. pessoas. dias. passam…
e nada passa.
nem a pressa desajeitada trajada em cores.

que de meia no escuro. tropeça.
que de poesia a fotografia… fala.
tumulto. no fundo…
que bate. por quem bate…
e faz rir.
da graça mais sem graça.

porque meu time perdeu
a luz acabou.
o tempo fechou.
a vela apagou.

da reza me esquecí.
ele não esqueceu.

tudo esquecí.
até de mim.

ele lembrou.
abraçou.. e dormiu.

psiu…

é que ele é tão lindo, romântico e cafona
que eu fico boba toda
e o café esfria.

enquanto nada passa.

O dia de votar

A prima Vera, tia Zélia, vó Nita… que reza, dança e assiste horário eleitoral.
Sete horas, eu de pé… cheiro de café.

Panfletos pela rua. O futuro dos livros de história.
Muros pintados. bares lotados. eleitores indignados. exaltados. brasileiros. apressados. orgulhosos. Ahh… eleitores!!! Votar com fé. depois de assinar com o dedo… Heresia! Só quero um giz. e aprender com quem sabe além das letras.

Antes que a primavera abra a porta, com suas flores e panfletos eleitorais. Um brinde! porque a vida é uma bebida sem gelo. que desce queimando… feito pinga barata num boteco em beira de estrada.

Enquanto seu Zé não sabe que é proibido abrir bar no dia de votar.