butecagem hereditária

Ana¨- sexta-feira. Dia internacional de butecar!

Heloísa – ô prima, meu olho até encheu de água aqui. Penso no buteco, me emociono.

Ana¨ – Então comemora proletária. é hoje!!!

Heloísa – E lá vai minha dieta Herbalife pelo custela abaixo …

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A cor do amor é branco.
cheio de veias, e de medo.
sempre cheio!
o amor não é do meio,
não é do meio termo.

o amor é de extremos.
derrama, multiplica, complica!
arde, alivia.
complica complica complica!

o amor me olha
como quem quer ficar ali
pra sempre.
antes de sair correndo.

o amor tem uma covinha,
do lado esquerdo do rosto.
E um monte de pintinhas,
que ouvem música velha.
distraem-se quando chamo.

esquecem do resto, do real, do digital
do rosto no retrato
na parede, o céu pendurado.
fica pesado, nas costas do amor.

o amor se queimou.
é que ele não sabe, tonto!
apagar-se aos poucos.

brilha brilha estrelinha

brilha brilha estrelinha
na roda da saia, na minha janela
brilha que te faço um poema
e conto um segredo.

pula pula estrelinha
de ponta cabeça.
sem ponta e sem cabeça.
ai tão destraída essa menina

levada, sapeca, leve leve estrelinha
sacode a poeira
dorme, acorda, estuda,
trabalha estrelinha, trabalha!
tira os sapatos, avoa estrelinha
avoa pra longe.

brilha brilha estrelinha.
brilha que te faço um poema.

com água e sabão,
faço bolhas.
com bolhas, faço vento.
de vento em vento.
tomo tento.

juizo que tá difícil.

04:58 am

os postes parecem estrelas, e minhas pernas dormentes não sentem sono.
estou asfixiada, queria dizer tanta coisa, que não pode. E sempre digo o que não posso. Posso o que quero. Ontem disse, hoje ainda é ontem. E minha vista embaçada perde o juízo, como o dia perde a noite.

melhor dormir, antes de dizer o que não pode.

segunda-feira

Hoje fiquei aqui, escrevendo lamentos, tão doces como a tarde quente que fez os pássaros da minha janela voarem para longe do barulho. O barulho rouco, das letras apressadas, digitadas com a força de quem sente.
Era só uma máquina de escrever, e aquele barulho ainda martela meus ouvidos, faz doer os dedos. Máquina antiga, presente da velha professora. E nunca foi “máquina”.

Hoje fiquei aqui, sozinha, com meu café sem doce, frio, e ainda sim, descia queimando a garganta, e todos os meus órgãos podres.
Que nunca tiveram medo do fogo.
 
Não penso, não sinto, não sei.
Porque de tanto bater, o coração pára. O Cronômetro zera, a pressa passa. Paciência desespera. Eu gosto do gasto.
E me gasto tanto.

Certa vez ela me julgou egocêntrico, narcisista e prepotente. Agora ela vem me dizer que sou intenso, que eu não quero, eu preciso, que vivo de extremos… Outra vez ela me incomoda mas outra vez ela tem razão. Mas a razão é so o que ela tem?
Através de escolhas um sonho pode tornar-se um pesadelo. Se sabemos disso, porque insistimos em mentir pra nos mesmos? Por que tentamos provar pra todo mundo que não precisamos provar nada pra ninguém? Por que procurar explicação pro que se sente? A solução é ver como Arnaldo Jabor. Isso ela faz muid bem! E eu ainda não aprendi.
Ela não pensa, ela rasga ideias. Ela não escreve, ela desenha sentimentos. Ela não comenta, ela convence. Ela… Ela… Ela… Quem é ela? Quem ela pensa que é? A mim so cabe agradece-la.
Me impressiona ela ainda não ter dito que sou passivo. Que eu espero, que eu confio, e nisso vivo a incerteza, a angustia. O francês ja dizia que a duvida é o preço da pureza, mas ele esqueceu de explicar de onde vem a pureza. Seria das escolhas? Ha muito tempo eu não vejo mais tal pureza. Eu vejo é um caminho, so não gosto de escolher.
Mas se consigo enxergar é porque ela destroçou minhas idéias, jogou abaixo minhas vãs filosofias, e la, do outro lado do Atlantico, me fez sorrir. Me dando novas esperanças.

rodrigo zago