enleio

letras que parem palavras
de um bucho embaciado.
e o pai… embasbacado
nina o menino nos braços.
como se desimportante fosse
cria-lo para ser brasileiro,
soltador de pipa e contente capacho
de uma rotina pateta!

durma filho meu…
vai ver que até lá.
já exista religião pra poeta.

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Perfil

neta. filha. irmã. sobrinha. prima.
telefone pela janela.
geladeira aberta.
música velha.
bom livro e um café.
esbórnia!

sangue de sal de fruta.
fervendo num copo d’água.

uma frase torta
de boa prosa.
baralho na mesa de alumínio.

pés na estrada.
raízes no ar.
o riso e a morte
mascando chiclete.
.

abraço falado

português pra quê?
se a gente fala outra língua!
se a gente sofre a embreaguês,
da nossa língua acridoce
que veio do seio do latim.
a gente…do pó

de café, a lucidez.
embaraçam-se as pernas e fecham-se os olhos.
nosso sentido é figurado.
nossa rima não é rimada,
nosso refrão não tem sequência.

e pela sequência,
a gente brinca de reticências “

a vida é de sentir,
a morte é de ir.
feito flor, que o vento leva pra dançar.
depois, joga semente por aí
pra nascer,
numa primavera qualquer…
um , um .

e um abraço Mi.
DEEESSE tamanho.
maior que o braço,
o abraço
o sentido.
maior que as reticências, e a preguiça.

sempre maior.

amo-te.
moça das flores.

as bolas…

Dei um sorriso, pro meu reflexo na bola de natal. Estendí a mão, e fiquei na ponta dos pés… tenho tanto espírito, e o tamanho pequeno da intenção. Minha árvore é tão linda… nas cores dos amores, e das flores…

As luzes… elas brilham sem mim. E são tão lindas.
mas preciso ligar na tomada. todos os dias.

São tantos sorrisos pendurados. e ainda faltam. faltam palavras, faltam rimas, faltam brindes, faltam histórias… e sobram. Saudade! das outras bolas, as de vidro… que só deixaram os cacos no chão. Estas, as novas… será que choram como? amassando?

para brilhar na árvore, sento… com minha caneca de café.
proibida pelo dentista, aconselhada pelo analista.

Amanhã o lixo vai estar cheio.
dos papéis de presente. da saudade, dos abraços, da fé, das declarações. E também vou estar cheia… de comer, e sentir, de furar os pés, e de sorrir não.

é que eu nunca sei… se penduro o que falta, ou se espero…
meu coração parar.

sim e não

é que você não dorme
nem acorda.
não fuma esse cigarro.
nem joga fora.
não tem prece. só pressa.

as vezes não tem…
outras jogando truco com o verbo,  pronome “se”.
nunca sei…
só que não gosto da ênclise.
de você eu gosto.
até do gosto e do gasto.

um dia eu aprendo..
aonde começa o sim e termina o não.

sobre nome.

primos

A coisa mais linda..
minha família!
minha vó, minha prima.
até minha tia que irrita…

barracos inesquecíveis!
abraços hereditários.
primos incríveis…
heróis imaginários.

programas de índio,
até sessão da tarde.
banho de rio…
e buteco da esquina.
pra pouca verba…
e muito verbo.

tudo combina..
e vira tinta..
na cara de quem não se cansa,
nem descansa.

Só de pirraça.
pra quem tem a raça…
de ser do carvalho!