poema para julia.

vinho tinto.
seco. rasgado. suado. molhado.
desce cortando. sangrando.
uma dose. duas. três.
mão na cabeça.
encrenca.

hoje não.
a taça que caiu da mão.
alí.
no chão.

agora não.
ainda sangra.
enquanto entorpeço.
e esqueço.

um brinde.
então!
peço-te, entre tanto…
que não me cuide.

hoje,
juntar-me-ei à taça.

.

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com muita RAÇA e AMOR!

ah meu coração… que nem vermelho é mais.
nem branco. nem preto. bate assim… listadinho!
e bate tanto…. eu tenho uma arquibancada dentro de mim. tenho um estádio, um hino. alguns refrões tolos e lindos…
Tenho o Willy Gonser, o Alberto Rodrigues e até o Galvão Bueno dentro do meu coraçãozinho listradinho. Já perdi a conta dos palavrões e dos galateios que destinei-os.

Ah… quando as buzinas tocam. quando os meninos gritam. quando as bandeiras sacodem… quando eu asseno e quase choro.
Quando eles dizem aos prantos: “sooobe galo”. e eu sinto tanto orgulho dos que rasgaram a carteira de torcedor, e no outro dia voltaram roucos de tanto cantar o hino preto e branco…  como se pedissem desculpa pela heresia.

Eu me encanto, e não me canso de encatar… por toda essa gente preta e branca, que dorme na fila, que grita, e chora, e canta, e luta, e acredita!!!

Já vi atleticano chorar e enxugar as lágrimas na bandeira… Já vi atleticano com as mãos juntas e os olhos fechados dizendo “ave atlético cheio de graça”… já ouvi promessa, mandinga, novena, simpatia. Só nunca vi atleticano calar. Porque esse povo tem eletricidade, raça, expressão. Tem garra! e por mais que eu faça, por mais que eu diga, ninguém nunca vai entender o bater preto e branco do meu coração.

Porque eu posso até votar no Lula, virar homossexual, matemática, evangélica… mas não deixo meu galo, nem se ele voltar a ser um time de fundo de quintal.
Porque eu tenho essa tal de “raça” que dizem por aí.

 

 

Enquanto houver uma camisa preta e branca pendurada no varal durante uma tempestade… eu vou estar na lá…
torcendo contra o vento.

janelas

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pinta menina.
borda. troca de roupa.
toca o sino.
corre menina…
o sol já vai se pôr e você nem percebeu…
porque ainda tinha champanhe.
e eu que tinha tanto a lhe dizer.
hoje não sei.
mas vê se entende..
que o mundo é grande demais pra caber na sua janela.

.

números

Os números não páram. e ninguém parece realmente se importar…
As pessoas se expressam. eu me comovo.
minha garganta seca. meu ouvido ensurdece. minha carne treme, e eu não sei muita coisa antes das 6.

sei que não presto. não meço, nem mereço.
o que posso. o que não devo.
saber o que eu quero?!…
é pedir demais.

E hoje, eu joguei tanta coisa fora.

Que só quando cruza a Ipiranga com a avenida São João

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 – O meu seria amargO. E a conversa seria boa.

– paulistanos gostam de café forte.
eu gosto leve e sempre.
paulistanos gostam da vida leve e sempre.
eu gosto forte.

– Quanto lirismo mineiro. Eu gosto muito!

– anA, as fotos quase cantam – ou cantam também, não sei – : “… quem te conhece não esquece jamais! …”.

– “alguma coisa acontece no meu coração…”

gosto do gosto.

Gosto do gosto. do cheiro. do tato.
me faço em pedaços. te faço.  rasgo. bebo. inebrio. e esqueço.
prego com ima de padaria na porta da geladeira. pra lembrar.

de ligar. e comprar pão.
gosto to gasto. do ralho. do falho.
te desenho. escrevo. prego. penduro. estudo. e nem assim entendo.

são tantos números. e nunca me dei bem com eles.
a razão da equação não me cai bem.

e a noite cai.
pra quem é de noite. ou entende matemática.
Gosto do gasto. do braço. do abraço. de bom dia. do cheiro. do café. das fitas coloridas.
dos outdoors nas avenidas. do íma. das rimas. de ti.

que não está na minha geladeira.