setembro.

Todas aquelas coisas que me faziam feliz, já não fazem.  Todos aqueles dias torpecentes, a me revirar, quietaram-se. Hoje não faz frio, nem calor.

Toda bossa, é velha. Panela nova que faz comida boa. Apressado não come, nem morre de indigestão. Tudo que é bom dura enquanto for bom. Difícil é mais… fácil de encher o saco. Toda garota, perde uma Pipa na árvore e joga o dente em cima do telhado.

meu chocolate acabou, nem mágoa tem… e até minha música calou.
café. bom… ainda tem.

Baixa umidade.

Essa coisa seca, que rasga e sangra. Esse plano alto que não tem começo, nem fim. Essa terra vermelha, que insiste em deixar marcas, esse vento cretino, que vem, levanta minha saia, despenteia meu cabelo e corre. Esse maldito calor, que me come viva. Ah… se não fosse tu, sertão. Aonde mais eu acharia, esse verbo “ser” tão…

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antes das seis.

Os relógios estão perdidos,
em qualquer lugar
entre ontem e amanhã.
Todos os barulhos,
antes das 6,
fazem barulho.
Mas não importa.
porque o resto do mundo,
ficou surdo.

eu escrevo.
os outros dormem.
todos eles.

e os comerciais…
não acabam nunca.

A madrugada é infinita.
pesada e fria.

O silêncio não cala.

levou nossa cama.
comeu nossa vida,
dormiu nosso sono.
mas o sonho…
nem percebeu,

que esquecemos de dormir.

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tenso.

Pense no que apodrece,
desde quando nasce.
De vagar,

o homem.
Me dá nauseas.
Assim como eu
e meu péssimo hábito,

de divagar,
leio Mainardi, Maurício de Souza, Millor e Bruna Surfistinha;
“só poeta!”
e vomito,

tudo o que não sei entender.
se pelo menos meu café,
apodrecesse junto,
embreagar-me-ia.

pense de novo.

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equação.

Sei lá, o poeta que diz, a vida tem sempre razão. Acho que não. Mas vão dizer que eu gosto mesmo é do estrago, que discordo, que implico. Então deixa pra lá, hoje eu conformo. descomplico.
Razão é discursão pra matémático, puta, físico, bêbado, faixa de gaza, deus e bush. Metafísico de mais.
Metas e física me dão preguiça. E vai ver… tanto faz. A vida tem sempre razão.

“é melhor ser alegre que ser triste”

Hoje eu vou esconder todas aquelas músicas lindas e tristes, em algum lugar que eu não alcance. Elas me deixam com cara de pamonha.
Vou dependurar o sol na janela, andar de meia e caneca pela casa, ler a página de piada, antes da de política. até perder a hora. E correr sem comer, pra não perder o ônibus.

Vou lembrar e esquecer, o que eu deveria ler. E me agarrar com qualquer Neruda. Pra não esquecer daquela cara de pamonha.
Vou sentir falta da minha câmera, mas não do telefone.

Hoje, vou ouvir com atenção, todos aqueles vendedores de alma, da Afonso Pena. Depois dançarei com o primeiro mendigo aloprado que me sorrir. Vou pegar meu celular, e retornar todas as ligações (à cobrar, é claro).

Hoje, eu vou ser qualquer samba,
que não precise de um bocado de tristeza.

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diário para alzehimer.

Sou tudo o que eu não queria ser, tomo dipirona sódica, prefiro ir apé, sempre perco meu telefone e não tenho saco pra terapia, psicologia, ou danceteria. Gosto de vacas e nunca achei a lua bonita. Tenho um jeito pateticamente igual de escrever. meio cheio de pontos, meio rimado, meio sem sequência. Prefiro comer nutella com o dedo, acho que tenho intuição, acho coisas de mais, e quase nunca estou certa.
Isisto, desisto, tomo café sem doce, e nem percebo.

talvez as coisas estejam fora do lugar.
sábado tem jogo do galo,
preciso visitar meu sobrinho,
e comprar sapatinhos do galo, também.
vou dormir… tá tarde.

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