confissão.

confesso que confesso
faço versos
tortos. soltos. difusos. confusos.
quando fica noite
ignoro e desconverso
o certo. o discreto. o cretino. o abstrato.
confesso que conformo
com o inconformismo
a política. a mizéria. “tô de férias”…
confeso que perco a linha fácil!
armo o barraco!
desço do salto.
piso, grito, xingo!
puta. merda. porra. caralho. confesso.
confesso que desconverso…
e morro.

pleonasmos.

Mais que de mais. quero que a pressa vá embora. agora! não. não quero mais. Quero. do brigadeiro endorfina. da parafina, luz. da vida, um filme triste. de você, preguiça.
Eu não sei esperar. acalmar, contar, ponderar. melhor calçar, meu sapato 36. ser gente grande. acabou meu shampoo. cansou. de explicar, lavar, cheirar, ponderar, complicar, acalmar. melhor pensar. e sentar.
Esperar, e continuar invejando todos verbos calmos, que eu nunca vou ser.

.

Júlia brasa, mora.

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Ela é incapaz de matar uma muriçoca.
tem borboletas no estômago,
flores na cabeça
e sapatos de boneca,
que dançam no escuro.

cigarros, café, cachaça, listras
cores, choques, agunia, pressa!
A última pin-up,
em liquidação.

preguiça.
a júlia é uma poesia etítilica
num bar vagabundo
meio sem rumo.
e um telefone,
que não pára de tocar.

empacotado.

Aeromoças empurrando nostaugia por entre o corredor. Dedos estralam, mas não sinto. Vinho tinto de quinta e jornal de ontem. em qualquer idioma que possa ser trocado pelas figuras. que parecem não entender.
Da janela, horas retrocedem. e eu tenho medo.

 .

Lucas

Ele meche em tudo. porque ele é uma criança, e não tem medo de errar. se for uma bolha radioativa, ele vai pegar e dizer: “olha, um vagalume”.
Porque ele gosta de frio, tem um pijama listrado com cheiro de varal e sorri fechando os olhos. Sem saber que tem um jeito de sorrir, capaz de derreter o pólo norte.
Porque ele é tímido, e ri quando eu fico brava. Depois me olha brincando, com aquele bico desse tamanho, e esperando eu me sentir um monstro por ter brigado com uma criança tão boazinha. Porque ele gosta de cheiro, e quando fica bêbado, liga e pede pra eu não desligar, por favor.
Porque ele canta, chora, fuma e toca viola, que é pra distrair a indecisão. Porque ele gosta do vento na cara, e faz sempre a mesma cara de dúvida, levantando uma sobrancelha.
Porque ele é uma criança, que gosta de brigadeiro com filme, faz pirraça e me abraça grande, quando eu repito que ele tem uma cara de besta. Porque ele é feito de tudo o que eu sinto. e de tudo o que eu nunca vou sentir.
Porque ele é simples de mais pra ser explicado, por quem enxerga complicado. e se complica. pra te facilitar. Porque ele tem um cabelo com cheiro de chuva, um brinquedo velho, e toca lá no fundo. Aonde só criança alcança.

Não quero falar, só isso. Hoje eu prefiro ser fraca, quieta, fria. e derreter na última greta de sol. Enquanto as vozes se confundem e se repelem dentro do infito de mim. Não me importam as flores, cores, gostos, desgostos. Eu não sinto. nem os pés. Enquanto a agunia me come viva. sorrio falso para enganar amigos e fotografias. Quero sair daqui, de mim, de ti. perder o juízo, no brinquedo mais alto, que eu sempre tive medo. E deixar meu coração numa esquina qualquer, aonde ele não precise mais pulsar. e seja lembrado apenas, como o resto de mim.
Uma maluca dessas que ninguém ouve, mas acredita que no outro dia, ela amanhece napoleão.

dissonâncias.

gosto do gosto.
do gesto. do ralho. do gasto.
da liberdade de expressão!
dos pontos… reticências. interrogação. exclamação!!!!!!!!
ah… o exclamação.

gosto de comer com a mão.
não como os índios.

(é canibalismo!)

…também de rodar uma mecha do cabelo no dedo.
mas não gosto de ficar tonta.
tomo pinga sem careta, e canto o garçom!
“dizem”

tomo juízo e o juízo não me toma.
daí eu canto reginaldo rossi pro garçom.

… rodar sem ficar tonta eu sei.
sei até que não sei.
a direção nunca disseram mesmo.

estrada turva é sem curva.
longe é aonde não bate sol.

o simples é complicado de mais,
pra quem busca respostas…

de mais.