longe

me leva contigo…
pra onde você se esconde,
enquanto o cigarro queima.
pra quando a fumaça dissolver.
por amor ou por tédio.
longe… é aonde não bate sol.

a noite é longe.
estou morrendo de cirrose.

por osmose.

Leve.

Não me leve a sério.
me leve.

Não me traga uma bebida leve,
me trague.

Esqueça-me de leve,
não se esqueça.

Não me leve a mal,
só quero ir pra casa.

Não deixa.
me leve.

Vícios

Um café amargo, um menino doce,
doritos com política, ele com poesia, seriado com chocolate,
música com coca-cola, todas as coisas com nutella.
A cidade que não pára e sempre dorme.
um sorriso, um abraço, uma música bonita, um conto obsessivo.
eu, você e todos os nossos vícios.

Ainda era ontem.

Hoje me peguei chorando por uma música. Ainda não sei se foi pela música, pelo Bukowski recém fechado ou por estar sozinha, mesmo sem estar sozinha. O que eu sei, é que não chorava atoa desde os meus 17 anos, quando a poesia estava nas esquinas, na veia, nas bebidas e nas pessoas.

E o que sou eu afinal, sem poesia? Um copo vazio, uma pessoa vazia, uma esquina vazia…

o quinto dia.

Galochas e guarda-chuva, pra sair do meu lugar, que também é seu. Pra enfrentar a chuva de poesias, entrelinhas, sirenes loucas e  olhares anônimos,  demarcando a avenida sem fim no caminho de volta pra casa.
Voltar mais cedo e nunca mais sair daquele colo quente, que abriga todos malditos, famintos, loucos, egoístas e sonhadores. Deixar de existir no quinto dia da semana, ao ler um trecho obsessivo de Clarice Lispector : “Mas ambos estavam comprometidos. Ele, com sua natureza aprisionada. Ela, com sua infância impossível.”