reticente

um café.
o termômetro abaixa, cronômetro zera, bandeira sobe. luzes apressadas atravessam a afonso pena. crianças olham, velhos choram, eu esqueço, e fotografo.
todos meus órgãos conspiram em silêncio. o livro perdi. telefone não toca mais. eu sempre perco tudo. amanhã tem jogo do galo.
van ligou: “estou com seu ingresso na mão”. sei qual mão não. telefone não toca mais.

outro café.
locadora fechou. bateria carregou. o chocolate, comi. e rodrigo não escreve mais.
perdi o sono. esqueci remédio pra dor de cabeça, e a cabeça saiu de mim. eu sempre perco tudo. amanhã vou pra casa da rita.
meu incenso queima, minha máquina não escreve, minha vida morre.

café esfria.

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2 comentários sobre “reticente

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