à lápis

Acordei antes das 6. Sem muito esforço, cheia de cabelos no rosto. Eram cachos perfeitos. Secaram enquanto eu não me movia e as vezes dormia. Prendi os cabelos sem esmero, de súbito veio um vento frio no pescoço, tão frio que me fez tremer. E foi bom sentir alguma coisa depois de esquecer… e escovar os dentes.

Tomei café frio, provavelmente sem doce também. Mas estava longe de mais pra perceber.

Embora não sentisse meus pés, e me distanciasse de mim rapidamente, não perdi o ônibus.
Tomei café na faculdade. Estava quente, e sem que eu precisasse pedir, doce. Já haviam decorado meu gosto. Como quem decora a rotina ou a rota.

Indo pra sala, trombei com o encarregado do audiovisual, Tobias, apressado, não me viu. Atrasado, concluí. E eu embora andasse de vagar, também.

Grosseiramente, não correspondi ao sorriso do professor de economia. Feliz em rever sua aluna preferida, irresponsável e cínica. Hoje não era preciso que ele abonasse minhas faltas, nem os anos.

Enquanto ele fala muito, eu entendo pouco. escrevo à lápis essas poucas linhas tortas. Tão tortas como a minha vida. Que nem sempre é escrita à lápis.

.

(escrito na manhã de segunda-feira, 08 de maio de 2006)

Anúncios

6 comentários sobre “à lápis

  1. muito bom….clap clap clap …

    muito bom seus textos……embora ser coisas corriqueiras, o jeito q vc escreve é muito caracteristico…..parabens…bjos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s