o disco

Olhou a gaveta por um tempo. E a memória lhe veio como navalha, naquela noite fria e de pouca luz.
Havia prometido a si mesma, não destrancar o que não se lembrava. Mas era só curiosidade! Ela saberia ser forte. Sabia mais…

Tossiu ao soprar o pó. E sentiu uma fincada no peito. Algo além da poeira a comovia e incomodava. Em um lapso tão curto feito a linha entre o real e o abstrato.

Adentrou a sala de vagar, olhou a vitrola meio sem jeito e nenhuma certeza. Trajava branco, e trazia o disco nas mãos. De tão velho se esmiuçava aos poucos… e ainda tocava. Com a força de quem tem coragem. Era a mais feliz e suave melodia sobre liberdade. Pouco sabia de sofrer, a portadora do velho disco de música gringa.

Ouviu as músicas sem chorar. E toda trajetória do disco lhe veio à mente. Talvez quisesse esquecer, e chorar, e rir, e dormir. Mas fez o que lhe era cabível. Fechou a gaveta. E desejou se alegrar em esquecer o disco.

“Em tempos como estes,
Em tempos como aqueles,
O que será será,
E assim vai…

E sempre vai e vai,
E vai e vai…

(…)

E sempre haverá paradas e idas,
E rápidas e lentas,
E ação, reação,
Paus e pedras
E ossos quebrados,
E aqueles pela paz e aqueles para a guerra.

(…)

Mas de alguma forma eu sei,
Não será a mesma coisa
De alguma forma eu sei,
nunca será a mesma coisa…”

Times Like These – Jack Johnson

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13 comentários sobre “o disco

  1. Jack Johnson… de repente tou ouvindo esse nome toda hora, as músicas dele pegando na FM.. e anteontem botei pra quebrar uma frase pra concorrer a uma coleção de cds + violão autografados do próprio..vai q ganho… vai ciumar? rsrs.. vejar? hahahahhahah
    sobrinha, sobrinha.. num tem noção como queria te mandar umas chineladas pra te por no eixo, sô.
    bjus

  2. Músicas antigas tem um jeito assim, de nos fazer lembrar das coisas do passado. Vez por outra é bom que eu as evite. Agora… Jack Johnson? Ah, sei lá, meu, eu acho legal as músicas do cara, mas de boa… prefiro o bom e velho Bob! Beijokas!

  3. as vezes eu me pego viajando nas minha recordacoes tb! fico fu;ando meus guardados, cartas, ftos, rabiscos, desenhos…
    gosto de fazer essa viagem de vez em qdo.
    mas ela nem sempre eh agradavél… hehehe…
    adorei seu texto!
    /*

  4. Lindo Ana! Quantas memórias “que vem como navalha” nós temos… às vezes nem é um bicho de sete cabeças, pois de certa forma, “nunca será a mesma coisa”, pois amadurecemos e mudamos muito. No fim, fechamos a gaveta e nos alegramos em esquecer as velhas músicas que ainda tocam no nosso toca-disco gringo…
    Saudades de ti moça! Saudades de comentar e escrever no blog… As coisas estão corridas aqui, TCC, trabalho, filhos, crises, enfim… Te adoro menina, vou tentar não sumir novamente…

  5. Esses dias eu vi uma msg que dizem ser do Chaplin, onde ele diz que todas as pessoas que cruzam nossa vida, levam um pouco de nós e deixam um pouco delas… Acho que é por aí.

    (simplesmente, lindo, o post!)

    Bjinhos…

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