Se eu me encho de remédios, quebro a cara, perco a aposta, aquele cara e o campeonato mineiro? faz diferença?
Talvez eu já perdi faz tempo, talvez o jogo nem tenha começado ainda, e vai ver, eu sou mesmo aquela chata, barraqueira, dramática, enjoada das cores, do cabelo, das pessoas e da porra do “talvez”.
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Estou tomando coca-colla e pagando 10 reais a hora nessa Lan numa cidade aonde tecnologia quase não existe. E se existisse ela diria: “acho que você esqueceu seu rivotril em casa”.
Talvez amanhã eu vá pra BH, talvez não. Talvez a chuva pare e o Juninho entenda que meus números de celular mudam cada vez que eu os perco.
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Ando bebendo que nem homem, comendo que nem gordo, me importando menos com as pessoas, lendo pouco e estudando mais. Nao estou fria, nem quente, ando, ando e ainda nao me achei morna, ruiva e bebada atravessando a rua sem olhar o semaforo.
Talvez eu devesse me procurar… depois do ultimo trago.

“Estas palavras eu escrevo para manter-me louco e alienado.”
Charles Bukowski
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Já fugi pra dentro de mim,
do rosto no espelho.
Já fugi de mim.
Já fingi que estava tudo bem
e tentei estar.
Já fui-me embora pra Pasárgada,
já voltei de lá.
E ainda não sei qual busca arrenegada é esta
a me colocar sempre em fuga.
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muita tosse, duas canecas de café, um pedaço de bolo de fubá que eu não consegui comer todo. Um pouco de saudade, uma dúvida agonizante, declarações de amor escritas em “gringo” e mais tosse.
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Sabe de uma coisa…
eles também nos querem (o seu cigarro e o meu café)
mas preferem se esconder,
no escuro, vazio e frio, da noite.
Acham, que amor é isso.
ver-nos penar,
a ausência deles.
Nem me fale em amor…
que amor é isso.

foto: Luciano Ferreira
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Quero te botar no bolso,
te levar no dorso
pra onde o sol vai se pôr.
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Pousou o cotovelo pra apoiar o queixo. A mesa continua cheia, barulhenta e vazia. Ele ficaria horas me olhando, sem me ver. Antes do café chegar, do namorado chamar, do amigo cutucar: “Acorda Fripe, seu café vai esfriar”. Não era café, mas a essa altura não fazia diferença. Provavelmente já nem sabia aonde estava, pensando no que jurou pra si mesmo, que não iria mais pensar. Preso no silêncio turbulento de ser reticente.
Cappuccino com chocolate e chantilly, o seu preferido! Nunca o vi pedindo coisa diferente. Sequer cogitava. Na verdade, ele gosta mesmo é de olhar aquele desenho que fazem com calda de chocolate em cima do chantilly, enquanto finge que espera esfriar, pra não assumir o quanto aquele simples rabiscado o comove. Tão frágil, o homem por trás do bigode e do cigarro.
Dois tragos no cappuccino morno, e olha os outros.
Experimentaria as outras bebidas. até as mais exóticas, se não fosse o medo de arriscar, de pisar em falso, de não gostar do gosto, de fazer mal e causar dor. Ele muda o tempo todo e continua o mesmo homem sensível à uma caneca, por trás do bigode e do cigarro.
Traga, respira, traga de novo, depois me olha, como se fosse calmo de fato. Como se o daltonismo permitisse que enxergasse o vermelho. Como se não estivéssemos atrasados. Como se a bebida fosse sempre a mesma. Como se não fosse mais pensar no que não quer. Mas ele vai pensar, mas o Kahlua vai fechar, mas nunca se atrasa, o homem por trás do bigode e do cigarro.

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Fala alguma coisa e desliga o rádio!
porque eu me perdi
antes mesmo que pudesse ouvir,
tua triste música gringa
de despedida.
Cala boca e aumenta o rádio!
porque você se perdeu.
Mania maldita essa minha,
falando sempre de mais.
Perdi classe, chance, chave, coragem
quando você perdeu o controle
remoto como o mês de julho.
Maldita mania essa sua,
olhando sempre pra trás.
Perdidos talvez ainda
pudéssemos brigar
pela guarda da nossa bossa única.
mas é que o rádio,
também perdeu a pilha.
… nem deu tempo de ouvir a hora do Brasil.
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Era domingo. Não sei que diabos a gente inventa de beber domingo. Ah, lembrei, estávamos com dor de cotovelo, eu e Samy. Porque a gente toma as dores e as cachaças, uma da outra. Sofrer junto é sempre mais lírico.
Porre… é quase poesia.
Foram 3 copos (porque o garçom é nosso amigo e capricha na dose) de cachaça vagabunda de primeira.
Ed. Malettão, Buteco do Bigode, um domingo apático. Sem chuva e sem sol. Ainda ouço a voz do Bigode dizendo… “duas fracas”. Enquanto a gente se segurava pelo cabelo, pra vomitar.
_ Desce mais uma bigode, que é pra comemorar o porre!
Analice chegou pra resgatar a gente, com o Leo, o Gringo, e aquele mau humor peculiar… Era Axel, o nome do gringo. Lembro de ter ficado a noite toda chamando ele de Axl, como o Axl do Guns’n Roses, mas era Axel mesmo, em francês, com olhos mel, pintinha sexy e 2 metros de altura.
Analice apontou pra mim e disse: “- She speaks french”. Ele sorriu aliviado e despejou 5 mil frases pra cima de mim. Ouvi a primeira que era. “- Oui, vous parlez français.”
Enquanto ele ainda falava, olhei pra Samy, e começamos a rir. É estranha nossa sintonia. Depois olhamos para o gringo, e cantamos com aquele bafo, aquela cara inchada e maquiagem borrada. Bem alto, e “quase” em sincronia:
”Non, rien de rien!!! Noooon! Je ne regrette rien.“
… Foi assim, o último dia do Axel no Brasil.
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