Era domingo. Não sei que diabos a gente inventa de beber domingo. Ah, lembrei, estávamos com dor de cotovelo, eu e Samy. Porque a gente toma as dores e as cachaças, uma da outra. Sofrer junto é sempre mais lírico.
Porre… é quase poesia.
Foram 3 copos (porque o garçom é nosso amigo e capricha na dose) de cachaça vagabunda de primeira.
Ed. Malettão, Buteco do Bigode, um domingo apático. Sem chuva e sem sol. Ainda ouço a voz do Bigode dizendo… “duas fracas”. Enquanto a gente se segurava pelo cabelo, pra vomitar.
_ Desce mais uma bigode, que é pra comemorar o porre!
Analice chegou pra resgatar a gente, com o Leo, o Gringo, e aquele mau humor peculiar… Era Axel, o nome do gringo. Lembro de ter ficado a noite toda chamando ele de Axl, como o Axl do Guns’n Roses, mas era Axel mesmo, em francês, com olhos mel, pintinha sexy e 2 metros de altura.
Analice apontou pra mim e disse: “- She speaks french”. Ele sorriu aliviado e despejou 5 mil frases pra cima de mim. Ouvi a primeira que era. “- Oui, vous parlez français.”
Enquanto ele ainda falava, olhei pra Samy, e começamos a rir. É estranha nossa sintonia. Depois olhamos para o gringo, e cantamos com aquele bafo, aquela cara inchada e maquiagem borrada. Bem alto, e “quase” em sincronia:
”Non, rien de rien!!! Noooon! Je ne regrette rien.“
… Foi assim, o último dia do Axel no Brasil.
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