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Posts de Dezembro, 2008

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Fala alguma coisa e desliga o rádio!
porque eu me perdi
antes mesmo que pudesse ouvir,
tua triste música gringa
de despedida.
Cala boca e aumenta o rádio!
porque você se perdeu.
Mania maldita essa minha,
falando sempre de mais.
Perdi classe, chance, chave, coragem
quando você perdeu o controle
remoto como o mês de julho.
Maldita mania essa sua,
olhando sempre pra trás.
Perdidos talvez ainda
pudéssemos brigar
pela guarda [...]

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Era domingo. Não sei que diabos a gente inventa de beber domingo. Ah, lembrei, estávamos com dor de cotovelo, eu e Samy. Porque a gente toma as dores e as cachaças, uma da outra. Sofrer junto é sempre mais lírico.
Porre… é quase poesia.
Foram 3 copos (porque o garçom é nosso amigo e capricha na dose) [...]

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Ana

Escrever pra ti é cometer de joelhos o sacrilégio de um monólogo. De ti por mim, ou… revoir. Antes do fim, tanto faz.
Ah Ana, caríssima Ana. Escrevo-te como quem reza. Numa prece sem pressa e sem vela. Seria-me insuportável a indiferença do fogo, queimando lentamente nossa certidão de nome.
Porém, escrevo-te simples, com a cordialidade de estranhas íntimas.  [...]

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Conversa de botequim

Enquanto não me farto,
do lirismo cometido
gasto minha insônia
com cerveja quente e coração partido.
 

A crise, a conta, o caos.
Os republicanos e os Democratas.
o barraco no senado,
o Bandeira na cabeceira,
nada importa depois das três
doses, horas, amigas bêbadas.
sempre às três.
em ponto!
Nem amor perdido,
nem partido, nem coração.
nem os 3,85 contos que paguei
pela cerveja quente.
se um dia ele falasse
se ao [...]

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Namoradeiro

Parecia uma fotografia
debruçado na janela,
pendurado na parede,
perdido no tempo.
Ele era o Monaliso
da tela sem porta,
sem tinta, sem saída.
Debruçado sobre os óculos
sem saber se a chuva vinha,
se o alívio vinha, se o bonde vinha.
Num inquietamento tão quieto,
que se houvesse janela
era ele o namoradeiro
do meu retrato pendurado.
.

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Ciranda

Foto: Cícero Fraga
Gastei minhas havaianas,
brincando de Hawaii Ana.
Perdi a conta, da conta!
mas eu dou conta,
só preciso de calculadora.
A minha razão foi flagrada
Arruaçando, arruaceira…
A rua acesa, e veja,
Nem coro mais.
Ah! prefiro passar da conta.
no descontrolar, me viro.
É como contar histórias,
Atento meu imaginário,
Vocabulário de caráter libertino.
Quantos gêneros, imagino,
Hão de compor
medos, dedos, anéis, fiéis!
oxítona eu sei. cantar:
“o anel [...]

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Cada um no seu “livro ruim”

Ela parecia uma louca, rodando pela casa, toda afoita.
Concentrei-me nos cabelos. Eu gostava dos cabelos dela, assim despenteados. Ela nunca o amarrava, nem nos dias mais quentes. Fico com calor só de pensar. Tentei desvencilhar, mas aqueles cabelos não deixaram que continuasse a ler. Ficavam se sacodindo, indo e vontando, bem pretos, bem compridos, com [...]

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