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Posts de Fevereiro, 2007

úlcera.

faço parte de você.
nem que seja,
parte desta úlcera infeliz
que plantei no seu estômago.
pra enraizar tua alma medíocre.
e te faz sangrar.
te faz morrer.
aos poucos.
pra ser mais gostoso.
Enquanto você grita,
eu sinto o gosto.
e te embrulho o estômago.
enquanto seu sonrisal ferve.
você chora,
e suplica,
pra deus arrancar de você.
eu, a úlcera, e a vida.

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presente de parede

 
É mais do que um presente, futuro, passado, calendário, real, abstrato, presente!!! é eu. e é ele, ali, na parede. É de poesia, de fotografia, de música e ventania. De laços, abraços, traços, retalhos, amigos, café, tantos dias, que parecem anos, que viram vidas. E se resumem, ali, na parede. Na minha [...]

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ciranda

Gastei minhas havaianas,
brincando de Hawaii Ana.
Perdi a conta, da conta!
mas eu dou conta,
só preciso de calculadora.
Ah! prefiro passar da conta.
no descontrolar, me viro.
É como contar histórias,
medos, dedos, anéis, fiéis, pastéis.
oxítona eu sei. cantar:
“o anel que tu me deste”
com quem tá o anel???
“era vidro e se quebrou”
Nessa ciranda ninguém canta?!
quero brindar!
“o amor que tu me tinhas”
Essa ciranda não anda?!
eu ando, ando. desando. recanto. [...]

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aniversário.

De pai Pierrô, e mãe Colombina, eu nasci. Filha do carnaval.
Dos braços. abraços. do copo. a bebida. a beira. da boca. sede. do rio. a flor. da folia. do vendaval. ah. do verão… nasci. sem roupa, nem frio. eu ria. do feriado. dos que floriam de folia. eu ria.
careta. moleca. sapeca. Eu ana. da cana. fulana. bacana. sacana. [...]

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a meu “vesse”

Se depressa a noite chegasse,
e de preto, sua dor o céu chovesse.
Tu, ali no colo, me comovesse.
E abaçaiado, tu implorasse,
para que eu contigo chorasse.
Feito chuva, nosso pranto subisse,
e o céu, de pesado caísse.
Fazendo com que o mundo todo, se acabasse.
Assim, talvez, a gente se entendesse.

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opostos

Eu chuva, ele constipação.
Ele pergunta, e eu: “sei não”.
Eu bagunça, ele organização.
Ele pensa, eu não.
Eu peço historinha, ele conta balão.
Ele medo, eu coração.
Eu rasgo o tudo, ele razão.
Ele explica, eu complicação.
Eu agora, ele: “que horas são?”
Ele boate, eu baião.
Eu forte, ele… ele não.
Ele inverno, eu verão.
Eu digo “vem”, ele pé no chão.
Ele esquece, eu peço [...]

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o vento que entortou a flor

É dia de Iemanjá, e eu, hoje, só queria ser flor, pra me jogar. E acalmar, tudo aquilo que o mar arrasta pra dentro de mim.
Tanto tempero e desespero, que embrulha o estômago, antes de nascerem as flores.
O sol faz da água sal, e das ondas… saudade. São tão fortes, que não me arrisco entrar. Logo eu, que nunca tive medo [...]

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