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Posts de Agosto, 2006

.trovas

Era uma vez uma menina. Que era dele a “guria do tio”, e ela gostava. Do som, da voz, do sotaque, da sinceridade estúpida. Gostava da brincadeira ironia, e da força expressão!
Ele disse: “eu gosto de você também”. A guria sorriu.
Um dia, ele se foi… e despedidas não explicariam… no fundo ela sabia que o [...]

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exagero expressivo

De tão vagabundo entende tudo. Sabe muito porquê viu de mais. Sabe nada! Como os que muito aprendem.
Sai batendo por aí, pra qualquer um na rua. Distribuindo beijos em outdoors. Caindo aos pedaços. dilacerado. esfarrapado. remendado. vagabundo!
Acelerado. abalado. sobressaltado. disparado. Vagabundo!
Bate por qualquer música vadia. por qualquer estrela bandida. rima perdida. Bate sem rebate. Pelo [...]

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Gira-mundo num cata-vento

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A Palo Seco

ê mundão arretado, véio e sem portêra. dos que vivem de brisa e dos que vendem ventilador. vendem de tudo. e tudo eles querem. lenha pro fogão e bíblia pro agnóstico.
do outro lado da janela, minha vitrola enguiçada. E ninguém vende agulha. ninguém é muita gente. ao mesmo tempo é ninguém. Será que alguém chama [...]

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metade da mesma coisa

Sensibilidade e frescura cabem na mesma página do dicionário. Ambas choram em comercial de margarina e casamento de papagaio. Coisa de mulher. e de machista. Coloca isso no copo, e bebe sem fazer careta. A mesma coisa duas vezes deve ser forte. Dose dupla, pra quem aguenta o tranco. uma. duas. três. mais de seis da manhã. [...]

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eu fico cá sem entender
nem desentender..
só confundindo, desembaraçando
as coisas que se embaçam na frente dos olhos
malditos olhos
doem quando a consciência pesa
quando bato o pé, e grito
pesa.
e sempre pesa.
e sempre grito.
dói.
eu já não sei das horas
tomei tanto café
que nenhum remédio pode ser mais tarja preta
eu queria agora dormir e esquecer
dormir e acalmar
dormir e acordar pra mim
porque [...]

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Solidão em Sociedade

Eu ando por aí, como quem segue os sapatos, sem querer chegar, nem nada. Olho pro chão, mas não sinto, nem nada. Ando como quem foge do fim do mês, ou luta contra o luto. Quem trava uma batalha vã, pra sempre vai se orgulhar antes das 6:00.
Eu ando sem razão, nem chão. Sobre confetes [...]

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A reza da vela

Se pudesse,
se as pernas dessem pé.
Se gritasse!
desmiolasse!
dormisse…
Se tu soubesse…
Da penitência que a vela reza. do terço
de farinha
preço do pão.
metade da ironia,
saudade suada. Molha camisa,
um olho alegria,
outro de raiva.
coca-cola com vinho.
Seco, rasgado.
Pintado de verde o muro.
Pichado de vermelho sangue.
de penitência reza.
de loucura preza.
paciência espera.
desepera!
Passa lento.
tempo pra quem conta dias.
cadarço descalço
corre, foge
fogo!
foge!
Nem se a vela apagasse
você eu [...]

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